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Enem: como usar a nota para se candidatar a universidades no estrangeiro

Jovem sentado a analisar dados em papel com gráfico junto a portátil numa mesa junto a janela.

Com a aproximação do período de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aumenta também a procura, por parte dos brasileiros, por oportunidades de licenciatura fora do país. Um estudo do Salão do Estudante em 2024 indicou que mais de um terço dos estudantes pondera fazer o ensino superior no estrangeiro, sinal de uma tendência crescente de internacionalização entre os mais jovens.

Neste contexto, várias universidades estrangeiras têm vindo a alargar o reconhecimento do Enem como critério de admissão. Já existem instituições nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e França que consideram o resultado do exame nos seus processos de selecção - seja como requisito principal, seja como elemento complementar.

Segundo o especialista em educação internacional Marcelo Melo, director executivo da IE Intercâmbio, a fase de inscrição é uma oportunidade-chave para alargar o leque de opções. “Muitos estudantes ainda associam o Enem apenas ao ingresso em universidades brasileiras, mas ele também pode ser utilizado como porta de entrada para instituições no exterior. Planejar isso desde a inscrição faz diferença”, afirma.

Desempenho necessário no Enem para se candidatar

Um dos aspectos centrais é a pontuação obtida no exame. De acordo com o especialista, é habitual as universidades internacionais pedirem médias a partir de 600 pontos, ao passo que instituições mais concorridas podem exigir resultados acima de 700, ou mesmo 750, consoante o curso e o país.

O que as universidades no estrangeiro avaliam além da nota

Para lá da pontuação, a candidatura costuma ser mais abrangente do que a prática no Brasil. “A nota do Enem é apenas uma parte da candidatura. As universidades também avaliam histórico escolar, nível de proficiência no idioma, como inglês ou francês, e, em muitos casos, redações, cartas de motivação e atividades extracurriculares”, explica Melo.

Como a nota do Enem entra nos critérios de admissão

Também é importante perceber de que forma cada instituição utiliza o exame. Nalgumas universidades, o Enem pode substituir provas padronizadas locais; noutras, funciona apenas como complemento no processo de selecção. Por isso, pesquisar antecipadamente as regras de cada universidade é essencial para evitar incoerências na candidatura.

Prazos e custos a considerar na candidatura

O planeamento deve incluir igualmente questões práticas, como prazos - que podem arrancar com até um ano de antecedência - e despesas com propinas, alojamento, visto e seguro. Ter estes pontos no radar desde o início ajuda a assegurar uma candidatura bem estruturada.

Perfil do estudante brasileiro

Na leitura do especialista, este interesse crescente traduz uma mudança no perfil do estudante brasileiro. “Os jovens estão mais abertos a experiências internacionais e enxergam a graduação fora do país como um diferencial competitivo. O Enem surge como um facilitador importante nesse contexto”, afirma.

Apesar das oportunidades, Melo sublinha que a estratégia continua a ser determinante. “Não basta apenas ter uma boa nota. É importante alinhar o desempenho no Enem com os requisitos da universidade, organizar a documentação com antecedência e construir uma candidatura consistente”, conclui.


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