Saltar para o conteúdo

Alemanha recebe novo doente norte-americano com Ébola da RDCongo em Frankfurt

Profissional de saúde com equipamento de proteção cumprimenta paciente através de vidro, em ambiente clínico.

Transferência do doente norte-americano com vírus Ébola para a Alemanha

A Alemanha recebeu, no domingo, um novo doente dos Estados Unidos infetado com o vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), numa operação realizada a pedido norte-americano, informou o Ministério da Saúde alemão.

Esta é a segunda vez que um cidadão norte-americano infetado com Ébola é evacuado da RDCongo para a Alemanha com o objetivo de receber cuidados médicos.

A transferência acontece cerca de dois meses depois de um primeiro doente dos Estados Unidos ter sido transportado para território alemão, no contexto do surto de Ébola declarado em meados de maio no leste do país africano.

Segundo o Ministério da Saúde, a Alemanha está a prestar assistência médica "a outro doente infetado com Ébola na RDCongo".

Hospital Universitário de Frankfurt: estado do doente e medidas de segurança

De acordo com a mesma fonte, o doente - cuja identidade não foi divulgada - deu entrada no domingo no Hospital Universitário de Frankfurt.

Entretanto, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) referiram, na sexta-feira, que se trata de um colaborador de uma organização humanitária na RDCongo, sem acrescentarem mais informações, segundo a estação norte-americana CNN.

O Hospital Universitário de Frankfurt indicou que o doente apresenta sintomas da doença, mas mantém-se num estado "estável".

O responsável pela unidade especial de isolamento para doenças altamente infecciosas da instituição, Timo Wolf, afirmou que o transporte decorreu sem incidentes, conforme noticiado pela agência de notícias alemã DPA.

"Não existe qualquer perigo para a população nem para os outros doentes" do hospital de Frankfurt, garante o Ministério da Saúde alemão, adiantando ainda que, além disso, "o risco de uma pessoa infetada pelo vírus Ébola entrar na Alemanha continua a ser muito baixo".

Já morreram mais de 700 pessoas

As autoridades congolesas deram conta de que a epidemia do vírus Ébola contabiliza, até ao momento, 1926 casos confirmados e 702 mortos. Referiram também a existência de 753 doentes em isolamento, enquanto 318 pessoas recuperaram e tiveram alta.

Surto na RDCongo e no Uganda: estirpe Bundibugyo e avaliação da OMS

Declarada oficialmente em maio em Ituri, província que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia acabou igualmente por atingir o Uganda, onde foram confirmados 20 casos - 15 importados da RDCongo - incluindo duas mortes.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o surto está ligado à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico. A OMS considera "elevado" o risco de disseminação na África subsaariana e "baixo" a nível global.

A OMS estima ainda que o vírus já circulasse em Ituri cerca de dois meses antes de o surto ser declarado e, no passado dia 17 de maio, classificou a situação como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".

Esta é, até agora, a terceira pior epidemia de Ébola registada e corresponde à 17.ª a afetar a RDCongo.

A atual epidemia é superada apenas pela que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 - com cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos - e por outra que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020, responsável por 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus propaga-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode provocar febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

De acordo com os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma epidemia de Ébola pode ser considerada encerrada quando não surgem novos casos durante 42 dias consecutivos, o equivalente ao dobro do período de incubação do vírus.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário