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Reforma das tarifas de electricidade: a tarifa horária torna o forno caro entre as 18–22

Jovem ajusta o fogão na cozinha enquanto lê instruções, com tablet a mostrar gráficos na bancada.

Por detrás dos avisos não há nenhuma brincadeira de mau gosto, mas sim uma reforma profunda das tarifas de electricidade. Quem tem uma tarifa horária com horas baratas e horas caras vai ter uma surpresa desagradável a partir da primavera: entre as 18 e as 22 horas, cada quilowatt-hora passa a ser especialmente caro - e o forno é um dos maiores consumidores de energia em casa.

O que muda de facto nas tarifas de electricidade

Na sequência de uma grande reforma tarifária, operadores de rede e entidades reguladoras estão a reorganizar por completo os períodos de electricidade mais barata. A lógica é simples: todos os dias existem oito horas com preço reduzido, concentradas sobretudo durante a noite. Ao longo do dia, somam-se mais algumas horas económicas, maioritariamente quando há muita produção solar a entrar na rede.

Até aqui, muitas famílias com tarifa horária conseguiam apanhar preços mais baixos também de manhã ou ao fim do dia, por exemplo entre as 7 e as 11 horas ou no início da noite. Esse esquema está a ser descontinuado de forma gradual. O objectivo é que, o mais tardar, até ao final de 2027, passem a contar apenas as novas janelas horárias.

Para o período de verão - oficialmente de 1 de Abril a 31 de Outubro - isto tem impacto directo: ainda sobram algumas horas baratas a meio da tarde, mas à noite o desconto desaparece por completo. Quem estiver neste período com uma tarifa adaptada paga, entre as 18 e as 22 horas, sempre o preço cheio.

"O período das 18 às 22 horas mantém-se continuamente na faixa cara - mesmo para clientes com tarifa horária."

Porque é que o forno se torna um problema precisamente à noite

Entre o fim do trabalho e o final da noite, em muitas casas funciona tudo ao mesmo tempo: aquecimento ou bomba de calor, placas, forno, iluminação, televisão e, possivelmente, ainda o carregamento do carro eléctrico. Esta coincidência cria o pico nacional de consumo que a reforma pretende reduzir.

É por isso que, nessa janela, desaparece qualquer tipo de preço reduzido. Nas horas económicas, o preço por quilowatt-hora fica claramente mais baixo; já à noite, situa-se cerca de um quinto acima. Quem consumir muito nesse período vai notar a diferença na factura.

Neste contexto, o forno ganha um peso especial. Os modelos actuais são mais eficientes do que os antigos, mas continuam a exigir potência elevada e durante um tempo relativamente longo. Quem prepara diariamente refeições no forno coloca uma fatia relevante do seu consumo exactamente no intervalo mais caro.

A partir de quando a tarifa horária deixa de compensar

Especialistas sublinham que um modelo com horas caras e horas baratas só compensa se, pelo menos, cerca de 30 por cento do consumo for deslocado para as fases mais económicas. Entre os usos mais típicos para essa mudança estão:

  • Água quente através de um acumulador eléctrico
  • Máquina de lavar roupa e secador
  • Carregamento de carros eléctricos
  • Máquina de lavar loiça
  • uso intensivo de um forno eléctrico

Se não houver ajustamento dos principais consumos, a vantagem da tarifa especial tende a esbater-se. E, quando a maioria dos pratos de forno é feita ao jantar, um bloco grande de consumo fica concentrado nas horas mais caras - fazendo a conta de electricidade subir de forma perceptível.

Abril como ponto de viragem: como o hábito de cozinhar tem de mudar

O dia 1 de Abril não é apenas a mudança de mês. É nessa data que começa oficialmente a fase de verão da nova estrutura tarifária. A partir daí, as três horas baratas diurnas ficam fixas entre as 11 e as 17 horas, idealmente alinhadas com a maior produção solar.

Assim, o almoço passa a beneficiar muito mais. Quem cozinhar ao meio-dia ou no início da tarde consegue usar o forno a preço reduzido. Já a refeição da noite passa quase toda para a zona cara.

"Cozinhar ao almoço, e à noite apenas aquecer rapidamente - é assim que os agregados tiram partido dos novos horários tarifários."

Ideias práticas para o dia a dia na cozinha

Muitos agregados já estão a reagir e a mexer nos seus hábitos. Entre as estratégias mais comuns encontram-se:

  • Cozinhar com antecedência à tarde: preparar lasanha, gratinados, assados ou legumes no tabuleiro no início da tarde.
  • À noite, apenas aquecer: guardar porções no frigorífico e mais tarde aquecer rapidamente em modo económico ou na micro-ondas.
  • Planear dias de forno: definir um ou dois dias fixos por semana em que vários pratos vão ao forno ao mesmo tempo.
  • Optar por aparelhos mais pequenos: air fryer, mini-forno ou micro-ondas muitas vezes gastam menos do que um forno de encastre grande.

Quem tem um contador de electricidade digital costuma conseguir ver as janelas tarifárias no próprio ecrã ou confirmá-las na área de cliente do fornecedor. Dessa forma, dá para programar o forno, a máquina de lavar e outros grandes consumos para as horas mais baratas.

Quão grande é, afinal, a diferença de preço

Os valores oficiais deixam a diferença bem clara. Nas tarifas reguladas, o preço por quilowatt-hora nas horas caras anda em torno de 0,21 Euro; nas horas baratas, está mais perto de 0,17 Euro. No total, a distância é de cerca de 20 por cento.

Período tarifário Preço de exemplo por kWh Característica
Horas caras (por ex., 18–22 horas) ca. 0,2146 € pico ao fim do dia, consumo total elevado
Horas baratas (janela nocturna/diurna) ca. 0,1696 € pelo menos 8 horas por dia, sobretudo à noite

Um exemplo: um ciclo típico de forno com necessidade de 2 kWh custa à noite cerca de 0,43 Euro; na fase barata fica apenas por volta de 0,34 Euro. Parece pouco, mas com vários usos por semana pode rapidamente traduzir-se em dezenas de euros por mês - só no forno.

Dicas para usar o forno de forma inteligente

Quem não quer abdicar por completo dos pratos de forno à noite ainda consegue poupar com alguns truques:

  • Aproveitar o calor residual: desligar o forno alguns minutos antes do fim; o calor acumulado costuma chegar.
  • Ventilado em vez de calor superior/inferior: geralmente permite baixar a temperatura em 20 graus.
  • Usar várias prateleiras ao mesmo tempo: cozer pizza e tabuleiro de legumes em paralelo, em vez de fazer um a seguir ao outro.
  • Não abrir a porta constantemente: cada abertura deixa sair calor e obriga a reaquecer.

Quem está em casa durante o dia ou em teletrabalho consegue, em muitos casos, deslocar os tempos de forno com relativa facilidade. Para famílias com horários laborais clássicos, a mudança é mais difícil. Nesses casos, ajuda um plano semanal claro: pratos de forno nos dias em que existe tempo durante a tarde; refeições rápidas na frigideira ou opções frias/mistas nas noites mais apertadas.

O que significam termos como "tarifa reduzida" e "ponta de carga"

Muitos consumidores estão agora a deparar-se com linguagem mais técnica. "Tarifa reduzida" é, na prática, o conjunto de horas em que o fornecedor cobra menos por cada quilowatt-hora. Estas faixas servem para aliviar a rede e incentivar que máquina de lavar, termoacumulador e forno não sejam usados nos períodos de maior procura.

Já "ponta de carga" descreve os momentos em que muitos equipamentos estão ligados ao mesmo tempo e a utilização da rede atinge o máximo. É precisamente aí que entram os preços elevados ao final do dia, que passam a manter-se propositadamente mais caros. O objectivo é evitar ter de manter centrais adicionais disponíveis apenas para cobrir poucas horas diárias.

O que a mudança significa a longo prazo para os agregados familiares

A nova estrutura obriga muita gente a planear melhor o quotidiano. Conhecendo as próprias janelas tarifárias, pequenas alterações podem traduzir-se em poupanças reais sem grande perda de conforto. Cozinhar com antecedência, usar os aparelhos com mais estratégia e aceitar alguma flexibilidade na "hora de comer" costuma ser suficiente.

Para famílias e trabalhadores com rotinas muito rígidas, vale a pena rever o contrato com atenção. Em certos casos, uma tarifa simples sem janelas horárias traz mais tranquilidade - mesmo com um preço por quilowatt-hora constante. Por outro lado, quem conseguir evitar usar o forno entre as 18 e as 22 horas continua a poder tirar partido da tarifa horária de forma direccionada.


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