A Ford revelou que está a trabalhar em duas novas plataformas dedicadas a veículos elétricos: uma pensada para pick-ups e SUV de grande porte e outra orientada para crossovers e automóveis de dimensão média.
A novidade foi divulgada numa apresentação dirigida a investidores, realizada esta quarta-feira durante o Capital Markets Day da marca do oval azul, ocasião em que a Ford também reforçou que vai aumentar a aposta na eletrificação e na conectividade.
Segundo a marca, estas arquiteturas servirão para tornar o desenvolvimento dos próximos elétricos mais simples e menos dispendioso, contribuindo para margens superiores por cada unidade vendida.
Futuro elétrico
A Ford continua a colocar a eletrificação no centro da estratégia, algo evidenciado pelo investimento de pelo menos 30 mil milhões de dólares (cerca de 24,53 mil milhões de euros) previsto a nível global até 2025.
Na Europa, esta orientação ganha ainda mais peso: a marca já indicou que, a partir de 2030, venderá apenas veículos de passageiros exclusivamente elétricos. Antes disso, por volta de meados de 2026, toda a gama deverá disponibilizar soluções com capacidade de emissões zero - seja através de modelos elétricos, seja por via de híbridos plug-in.
Em paralelo, toda a oferta de veículos comerciais da Ford Europa terá, em 2024, capacidade para ser equipada com variantes de emissões zero, novamente recorrendo a propostas 100% elétricas ou híbridas plug-in. Para 2030, a expetativa é que dois terços das vendas de veículos comerciais correspondam a modelos 100% elétricos ou híbridos plug-in.
Duas plataformas novas
Para alcançar estas metas, a Ford terá de ampliar a oferta elétrica, que por agora se resume ao Mustang Mach-E - que o Guilherme Costa teve recentemente oportunidade de testar em vídeo - e à inédita F-150 Lightning, a versão totalmente elétrica da pick-up mais vendida do mundo, que já somou 70 mil reservas poucos dias depois da apresentação.
A estes dois modelos deverão juntar-se, nos próximos anos, novas alternativas elétricas no universo dos automóveis e crossovers, a par de propostas de maior dimensão, como SUV, carrinhas comerciais ou pick-ups.
Determinante para este plano será a chegada de uma plataforma exclusiva para elétricos, preparada para configurações de tração traseira e tração integral.
Hau Thai-Tang, diretor de operações e de produto da Ford, citado pela Automotive News, afirma que esta base dará origem “a uma gama de modelos mais emocionais a produzir até 2030”.
Embora a Ford não o tenha confirmado, aponta-se que esta plataforma seja uma evolução da GE - a mesma que sustenta o Mustang Mach-E - e que venha a adotar a designação GE2.
Segundo a Automotive News, a GE2 deverá ser lançada em meados de 2023 e servirá a próxima geração do Mustang Mach-E, bem como crossovers da Ford e da Lincoln, havendo ainda especulação em torno da próxima geração do “pony car” Mustang.
Já em 2025, deverá estrear-se a segunda geração da Ford F-150 elétrica, suportada por uma nova plataforma elétrica denominada TE1. De acordo com a Automotive News, esta arquitetura poderá igualmente estar na base de futuros Lincoln Navigator e Ford Expedition elétricos, dois SUV de grande porte cujas gerações atuais partilham a mesma plataforma da pick-up F-150.
MEB do Grupo Volkswagen também é aposta
A estratégia de eletrificação da Ford não termina nas novas plataformas. Para além de uma pick-up média elétrica que tudo aponta para derivar da plataforma da Rivian - a startup norte-americana, na qual a Ford é investidor, que já revelou dois modelos, a pick-up R1T e o SUV R1S -, a marca do oval azul vai também recorrer à conhecida plataforma MEB do Grupo Volkswagen para acelerar o plano, sobretudo no mercado europeu, e assim cumprir o objetivo definido para 2030.
Importa recordar que a construtora norte-americana já tinha reconhecido que vai fabricar um elétrico com base na MEB na unidade de produção de Colónia, a partir de 2023.
No entanto, e como se soube recentemente, esta cooperação entre a Ford e a Volkswagen poderá dar origem a mais do que um elétrico. Segundo uma fonte citada pela Automotive News Europe, as duas marcas estão a negociar um segundo modelo derivado da MEB, igualmente produzido em Colónia.
Artigo atualizado às 09:56 do dia 27 de maio de 2021 com a confirmação da notícia que tínhamos avançado antes do Capital Markets Day
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