Um amanhecer de Dezembro no jardim
O nascer do sol de Dezembro deixa o jardim quase ao abandono sob aquela luz pálida de Inverno.
O relvado está rígido de geada, o bebedouro das aves tem uma orla congelada e, algures, começa uma espécie de dor distante. Ainda assim, na única estação de alimentação, há um movimento minúsculo: um visitante de tons amarelos e vermelhos surge num lampejo e aproxima-se, curvando-se com timidez e o maior respeito.
Ninguém o chama, e ninguém diz ao certo o que isto significa para uma ligação com o ambiente.
E, no entanto, à medida que um pequeno fardo se expande - universalmente dito, lido, colado, pressionado e massajado - a notícia segue bem de perto, fazendo de tudo como um navegador: um acesso simples e barato ao consentimento. E, nessa mesma manhã hipnotizante, a aptidão acalma outros quintais suburbanos.
Aveia sem sal e o rumo das aves ao amanhecer
Um ingrediente humilde está, em silêncio, a decidir para onde as aves voam ao amanhecer.
As promoções de sementes para aves ficam na prateleira; elas permanecem ali.
O petisco barato que transforma o seu quintal num encontro ao amanhecer
Todos os Dezembros, quem alimenta aves no quintal há anos parece seguir um ritual discreto.
Antes de o frio do amanhecer gelar a terra marcada, deitam furtivamente algo banal nos comedouros - uma mistura tão simples que os locais juram por ela.
Nada de baldes sofisticados nem misturas de luxo: apenas aveia sem sal, inteira ou em flocos, sem tostar.
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