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Estudo da FMUP liga níveis elevados de lipoproteína A (Lp A) a maior risco de síndrome coronária aguda

Médica a explicar imagens de um coração digital a uma paciente numa consulta num consultório médico.

Um trabalho conduzido por 12 investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) aponta para uma associação entre valores elevados de lipoproteína A (Lp A) e um aumento do risco de síndrome coronária aguda, com maior destaque em pessoas jovens e em mulheres.

A equipa concluiu que níveis altos de Lp A se relacionam com um risco superior de enfarte. A Lp A é uma partícula ligada ao colesterol que circula no sangue e cujas concentrações dependem, em grande parte, de fatores genéticos.

Lipoproteína A (Lp A) como fator de risco cardiovascular independente

De acordo com os resultados, a Lp A funciona como um fator de risco cardiovascular autónomo, já que não surgiu associada aos fatores mais comuns, como o "mau colesterol", a diabetes, a hipertensão arterial ou o tabagismo. "As conclusões sugerem que a Lp A poderá ajudar a explicar alguns casos de doença coronária que surgem precocemente ou em pessoas sem o clássico perfil que apresenta outros fatores de risco cardiovascular", clarifica Ricardo Fontes-Carvalho, um dos autores do estudo.

Impacto em jovens e mulheres com síndrome coronária aguda

Estas evidências ajudam a compreender, em particular, situações de enfarte em mulheres - descritas por Ricardo Fontes-Carvalho como "um grupo em que o risco cardiovascular continua muitas vezes subestimado" - e também em jovens cujo enquadramento clínico não parecia justificar o aparecimento da doença.

O estudo reforça recomendações internacionais recentes, que defendem que todas as pessoas devem medir a Lp A pelo menos uma vez ao longo da vida, permitindo detetar uma predisposição genética para a ocorrência de acidentes cardiovasculares.

Uma medição é geralmente suficiente

"Os níveis desta partícula são determinados pelos genes e permanecem relativamente estáveis ao longo da vida, pelo que uma única medição é geralmente suficiente para identificar indivíduos com maior risco cardiovascular e que podem beneficiar de estratégias preventivas mais intensivas", clarifica o investigador. Como este valor não integra, por norma, os parâmetros das análises clínicas de rotina, Fontes-Carvalho sublinha a importância do alerta.

A investigação, publicada na Revista Portuguesa de Cardiologia, analisou doentes internados por síndrome coronária aguda (enfarte agudo do miocárdio ou angina instável). Nesse grupo, cerca de 40% tinham Lp A elevada, acima de 100 nanomoles por litro (nmol/L). Entre estes, um em cada cinco apresentava valores superiores a 175 nmol/L.

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