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Vagas de calor: diferenças entre mulheres e homens e como prevenir riscos

Homem e mulher sentados num banco ao ar livre, ele usa termómetro e limpa o suor, ela bebe água.

As vagas de calor mais severas deixam consequências em toda a gente, tanto em mulheres como em homens. Longe vão as explicações simplistas de que elas sofrem necessariamente mais do que eles com temperaturas elevadas; ainda assim, um especialista aponta diferenças e indica como agir.

Vagas de calor e perceção do calor no corpo

Para além da temperatura em si, a forma como o calor é sentido e o impacto no organismo variam bastante de pessoa para pessoa. Contrariando crenças comuns, "é importante evitar a ideia simplista de que um sexo 'suporta melhor' o calor do que o outro", alerta o especialista em Medicina Estética e Medicina Familiar, Ricardo Moutinho Guilherme.

Diferenças biológicas entre mulheres e homens

Embora a relação não seja "totalmente linear", existem, ainda assim, "diferenças biológicas que podem influenciar a forma como cada organismo regula a temperatura corporal. Há diferenças biológicas que decorrem em ambos os géneros que devem ser destacadas", sublinha o especialista.

Sobre as mulheres, explica que, em média, têm uma percentagem mais elevada de massa gorda e menos massa muscular, o que afeta tanto a produção como a dissipação de calor. Acrescenta que as variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, na gravidez e, sobretudo, durante a menopausa podem modificar a perceção térmica e potenciar afrontamentos e uma sensação intensa de calor.

Quanto aos homens, Ricardo Moutinho Guilherme refere que eles "tendem a produzir mais calor devido à maior massa muscular e a transpirar mais abundantemente, o que pode tornar o mecanismo de arrefecimento corporal mais eficiente em determinadas circunstâncias".

Ainda assim, o médico reforça que "a tolerância ao calor varia significativamente de pessoa para pessoa, sendo influenciada também pela idade, pelo estado de saúde, pela hidratação, pela medicação e pelo grau de adaptação às temperaturas elevadas".

Medidas de prevenção e sinais de alerta

Quer para mulheres, quer para homens, importa lembrar que "os períodos de calor intenso exigem medidas de prevenção para reduzir o risco de desidratação, exaustão pelo calor e golpe de calor". Por isso, defende que "é fundamental manter uma hidratação adequada, mesmo na ausência de sede, privilegiar roupas leves e de cores claras, evitar a exposição solar nas horas de maior intensidade (entre as 11 horas e as 17 horas), procurar ambientes frescos ou climatizados e reforçar a ingestão de alimentos ricos em água, como frutas e legumes".

O especialista pede também atenção à identificação atempada de sintomas: reconhecer "precocemente sinais como sede intensa, tonturas, fadiga, cefaleias, náuseas ou confusão; é igualmente essencial para atuar rapidamente e prevenir complicações potencialmente graves associadas às temperaturas extremas".

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