Entre escritório, creche, supermercado, ginásio e um encontro ao fim do dia, a rotina muitas vezes parece uma corrida contínua pela cidade. A certa altura, quase toda a gente percebe a mesma coisa: com saltos vertiginosos, aguenta-se isso, no máximo, durante algumas horas. As passerelles podem estar outra vez a aplaudir stilettos e plataformas XXL, mas o dia a dia conta uma história diferente - e, neste momento, escreve-se com sapatos rasos e confortáveis que continuam a parecer tendência (e não ortopedia).
Porque é que os sapatos rasos são agora melhores do que os saltos altos
Nos últimos anos, os ténis mais arranjados foram o salva-vidas de quem anda sempre de um lado para o outro: sola almofadada, apoio seguro, e ainda davam para combinar com peças de escritório. Estava encontrado o meio-termo entre conforto e estilo. No próximo outono, os designers vão mais longe: cinco tipos concretos de sapatos rasos passam para o centro das atenções e provam que “prático” já não é sinónimo de “aborrecido”.
"Os sapatos rasos deixaram de ser o par de emergência debaixo da secretária e passaram a ser o ponto de partida de qualquer outfit."
Em vez de trocas constantes - sapatos de salto para o autocarro e ténis para o regresso a casa -, uma selecção bem pensada de sapatos rasos pode substituir vários pares no armário. E melhor ainda: os modelos mais recentes pegam em tendências actuais - de “Mob Wife” a Y2K e à estética Old Money - sem castigar os pés.
Sneakerinas: quando a bailarina e o ténis têm um “filho”
O híbrido mais comentado tem um nome um pouco peculiar: Sneakerinas. À vista, lembram bailarinas; nos pés, aproximam-se de um ténis confortável. Têm biqueira arredondada, muitas vezes tiras cruzadas, e normalmente uma sola um pouco mais robusta, com ligeiro brilho.
Para muitos designers, este modelo já é o “sapato da estação”. Casas e marcas como Louis Vuitton, Miu Miu, Ganni ou Repetto lançaram versões próprias - ora com fitas, ora com elásticos, ora ultra rasas e mais elegantes.
Como usar Sneakerinas no dia a dia
- Balletcore: com meias de renda, vestido branco ou saia midi, ficam românticas sem perderem funcionalidade.
- Inspirado em Y2K: com culottes pelo tornozelo ou capri pants e um top curto, remetem para os primeiros looks dos anos 2000.
- Desportivo: com calções de treino ou bermudas de ganga, funcionam como ténis leves - só que com mais “pinta”.
O grande trunfo: são mais femininas do que os ténis clássicos, mas suficientemente estáveis para um dia inteiro fora. E para quem sempre gostou da estética das bailarinas, mas evitava a sola finíssima e sem amortecimento, aqui está um compromisso convincente.
Mary-Jane-Mania: ar de sapato infantil, impacto de moda
As Mary Janes - conhecidas em alguns sítios como “sapatos de bebé” - trazem um lado nostálgico: geralmente rasas, com biqueira fechada e uma tira sobre o peito do pé. O que antes era mais certinho, agora é revisto de forma marcadamente contemporânea. Os designers apostam em volumes mais angulares, biqueiras quadradas e materiais pouco óbvios.
Até marcas conhecidas do universo outdoor ou dos ténis têm brincado com esta ideia, reinterpretando modelos com a tira típica das Mary Janes. O resultado é uma espécie de nova geração híbrida, algures entre o visual de colegial e a streetwear.
Como fazer Mary Janes sem parecer “primária”
- Versão preppy: saia plissada, meias brancas e casaco aos quadrados - e tens um college look actualizado.
- Com contraste: renda transparente, slipdress ou minissaia tiram-lhes a doçura e acrescentam atitude.
- Com sola grossa: a sola chunky corta o lado infantil e aproxima-as de um verdadeiro it-piece.
"A moda de sapatos actual adora jogar com opostos: o fofo encontra o cool, o estranho encontra o desejável."
No escritório, as Mary Janes podem substituir os sapatos de salto com vantagem: mantêm um ar suficientemente profissional para uma reunião e são muito mais agradáveis no caminho de volta.
Mocassins com detalhes: borlas, franjas e metal
Os mocassins continuam a ser a aposta segura para quem quer algo clássico sem cair no “antigo”. Neste outono, ganham destaque sobretudo as versões de biqueira afilada. Vale a pena procurar modelos em pele ligeiramente envelhecida - que com o tempo ganha patina - ou em camurça macia, que encaixa na actual paixão pelo nubuck, embora seja mais sensível à chuva.
Tipos de mocassins mais procurados agora
- Clássico com personalidade: sola fina, biqueira pontiaguda e pele com brilho discreto.
- Detalhes de destaque: fivela tipo mors, aba com franjas ou borlas para chamar a atenção.
- Versão em camurça: mais suave e descontraída, perfeita com tecidos de outono.
Neste momento, a forma de os usar tende para o “descontraído, mas pensado”: ganga de corte recto, camisola de malha vermelha, trench clássico. A ideia é parecer que saíste de casa impecável “por acaso” - mesmo que cada peça tenha sido escolhida com intenção.
Sapatos de barco: vibe Old Money em terra firme
O que durante muito tempo cheirou a clube náutico, de repente ganhou lugar na cidade: os sapatos de barco. Criados para evitar escorregadelas no convés, aparecem agora em colecções de casas de moda que vão de Miu Miu a Loewe.
O modelo tradicional é em pele castanha lisa, com atacadores curtos em camurça. Para o outono, muitas versões surgem totalmente em nubuck, o que lhes dá um aspecto mais macio e actual.
Como usar sapatos de barco fora do porto
- Com saia de pele e camisola de malha para um look de escritório elegante, mas relaxado.
- Com jeans largos “puddle”, a assentarem ligeiramente sobre o sapato, para um streetstyle actual.
- Com calças brancas de tecido e polo às riscas para um Old Money assumido.
- Com casaco de camurça, mantendo a mistura de materiais coerente e com ar premium.
"Os sapatos de barco trazem um toque de costa para a cidade, sem parecerem uma lembrança de férias."
Para quem no outono anda muito a pé, a sola antiderrapante - normalmente flexível - é uma vantagem clara. À chuva, não prometem pés completamente secos, mas protegem bastante mais do que umas bailarinas de sola muito fina.
Derbies: clássicos masculinos com garantia de estilo
Muita gente ainda associa Derbies a bibliotecas, corredores de faculdade ou sapatos “de pais”. É precisamente isso que os torna interessantes agora: as casas de moda recuperam o lado robusto e masculino e usam-no como contraste deliberado com peças mais femininas.
A versão actual costuma ser mais esguia e bem rasa, frequentemente em pele preta lisa. Em vários casos, esta escolha remete para looks icónicos da década de 2010 e para músicos que fizeram dos sapatos rasos com atacadores uma assinatura.
Como fazer Derbies parecerem actuais (e não certinhos)
- Com skinny jeans e casaco de cabedal para um visual rock no quotidiano.
- Com look total ganga (camisa e calças) como referência a ícones retro.
- Com vestido midi ou slipdress, criando um contraste interessante com tecidos fluidos.
Se a ideia for comprar apenas um par, compensa apostar em Derbies pretos simples, de pele boa. Funcionam com calças de fato tanto quanto com ganga e levam-te sem esforço através de dias de trabalho longos.
O que deves verificar ao comprar sapatos rasos
Moda é uma coisa; o uso diário é outra. Para que estes cinco modelos tendência sejam realmente “usáveis”, vale a pena observar alguns pontos durante a prova.
| Aspecto | O que observar? |
|---|---|
| Sola | Amortecimento ligeiro, relevo antiderrapante, e que não seja totalmente rígida. |
| Ajuste | Espaço suficiente para os dedos, sem costuras a pressionar; tiras que não cortem. |
| Material | Pele verdadeira ou imitação de alta qualidade adaptam-se melhor; camurça só em tempo mais seco. |
| Utilização | Para trajectos longos, Sneakerinas ou Derbies mais estáveis; para escritório, mocassins ou Mary Janes. |
Como cobrir muitos looks com poucos pares
Não é obrigatório acompanhar todas as tendências. Mais inteligente é escolher dois ou três modelos que encaixem na tua vida:
- Muitas deslocações pela cidade: Sneakerinas + Derbies cobrem dias mais descontraídos e dias mais formais.
- Escritório com dress code: mocassins + Mary Janes simples parecem sérios sem ficarem rígidos.
- Casual, mas com atenção ao estilo: sapatos de barco + Mary Janes combinam facilmente com ganga, vestidos e saias.
Quem passa muito tempo em pé - por exemplo, no retalho, na restauração ou em eventos - ganha com palmilhas de substituição e materiais respiráveis. Pequenas ajudas como gel pads ou almofadas para o calcanhar podem salvar modelos que são perfeitos no visual, mas ligeiramente duros.
Aspectos de saúde: no que os sapatos rasos ajudam - e no que não
Os sapatos rasos aliviam o antepé e reduzem a probabilidade de problemas muitas vezes associados a saltos altos, como joanetes dolorosos ou sobrecarga nas articulações dos dedos. Ainda assim, não são isentos de riscos: solas demasiado finas e duras podem aumentar o impacto nos calcanhares e nos joelhos quando não há amortecimento.
O ideal é que a diferença de altura entre o calcanhar e a zona do antepé (drop) fique entre um e dois centímetros. Muitas Sneakerinas, Derbies ou mocassins cumprem isso de forma automática. Quando a sola é totalmente “zero”, vale a pena olhar com atenção, sobretudo para quem já tem queixas nas costas ou nos joelhos.
Quem sofre de pé chato ou pé aberto deve, em caso de dúvida, optar por um modelo que aceite palmilhas sem dificuldade. Em particular, Derbies e alguns mocassins costumam ter espaço suficiente para isso, sem que o sapato fique logo com aspecto pesado.
No outono de 2025, a questão passa menos por usar o par mais espectacular e mais por escolher aquele com que, às oito da manhã, ainda sais contente - e com que, às oito da noite, continuas a andar bem - sem deixar de parecer que pensaste no look.
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