Declarações de Ed Bastian na Fox Business
Numa entrevista recente à Fox Business, o CEO da Delta Air Lines, Ed Bastian, sustentou que a subida das tarifas aéreas está ligada a restrições de capacidade causadas pela congestão no sistema de controlo do tráfego aéreo dos EUA.
De acordo com Bastian, se o espaço aéreo fosse libertado e o fluxo de voos melhorasse, seria possível aumentar a oferta, baixar preços e dar aos passageiros acesso a um maior leque de destinos.
O que dizem dados e analistas do sector sobre as tarifas aéreas
Ainda assim, especialistas e análises do sector contestam essa leitura. Embora reconheçam que o sistema de controlo do tráfego aéreo dos Estados Unidos enfrenta dificuldades e precise de reformas para reduzir atrasos, sublinham que a subida das tarifas não pode ser atribuída de forma directa a esse factor.
A formação do preço dos bilhetes é, sobretudo, determinada pela oferta e pela procura, e não apenas - nem necessariamente - pelos custos operacionais.
Os dados disponíveis indicam que as tarifas aumentaram cerca de 30% desde o início do ano, acima dos 10-15% referidos por Bastian, num período em que não ocorreram alterações relevantes no sistema de controlo do tráfego aéreo.
Capacidade reduzida, frota e receitas por assento-quilómetro
Segundo esta perspectiva, o principal impulso para o aumento dos preços tem sido a redução voluntária da capacidade por parte das companhias aéreas, que procuram fazer subir as tarifas ao limitar a oferta.
Há também críticas de que as transportadoras, incluindo a própria Delta, operam com aeronaves mais pequenas - como jactos regionais e Airbus A220 - com menos lugares, o que pode contribuir para um cenário de capacidade mais apertada.
Paralelamente, a relação entre a receita por assento-quilómetro e o custo continua deficitária para muitas companhias, uma diferença que tem sido compensada através de programas de fidelização e de outras estratégias.
Modernização do controlo do tráfego aéreo e limites para baixar preços
Apesar de existir concordância quanto à necessidade de modernizar o controlo do tráfego aéreo para aumentar a eficiência do sistema, especialistas alertam que essa mudança não é uma solução milagrosa para reduzir tarifas, sobretudo perante factores de mercado e opções comerciais das empresas.
United Airlines e o contexto geopolítico
Em contraste, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, foi mais directo ao abordar a permanência de preços elevados, defendendo que, quanto mais se prolongar o actual cenário geopolítico, maior será a probabilidade de as tarifas se manterem acima dos níveis anteriores à crise.
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