Saltar para o conteúdo

7 dicas de arquitetos para fazer um estúdio de 20 m² parecer maior

Interior de quarto com cama alta, mesa com cadeira, estantes na parede e luz natural a entrar pela janela.

Num domingo à noite, num estúdio de 20 m², basta por vezes deixar uma mala no chão e mudar uma cadeira de lugar para sentir que as paredes se aproximam. A mesa é usada para jantar, teletrabalhar e acumular contas esquecidas; a cama permanece ali, lembrando constantemente que a divisão não pode assumir várias funções. Todos conhecemos aquele instante em que olhamos para uma casa pequena e nos perguntamos como conseguem algumas pessoas encaixar nela uma entrada a sério, uma zona de refeições e até uma biblioteca. Os arquitetos de interiores não alargam paredes por magia: tiram partido da luz, das perspetivas e dos hábitos. E as suas soluções podem mesmo transformar o dia a dia, sem obrigar a avançar para obras assustadoras. A diferença está nos pormenores.

Os três primeiros gestos para libertar espaço de imediato

A primeira solução passa por definir zonas sem as fechar. Num estúdio, uma divisória opaca interrompe a luz e encurta o campo de visão, mesmo tendo apenas alguns centímetros de espessura. Um tapete sob o sofá, um candeeiro suspenso sobre a mesa ou uma alteração subtil de cor numa parede chegam para distinguir a sala, a zona de refeições e a área de dormir. O olhar percebe, assim, a organização da casa sem encontrar barreiras. Esta perceção tem um peso enorme: um apartamento parece maior quando cada função tem o seu lugar, sem que a divisão fique segmentada como um mapa de metro.

O segundo gesto é aproveitar a altura, tantas vezes ignorada quando se vive ao nível do chão. Num apartamento parisiense de 20 m² renovado no ano passado, uma arquiteta mandou colocar prateleiras estreitas até 30 centímetros do teto, ao longo de uma parede inteira. Livros, caixas e objetos usados com menor frequência deixaram os móveis baixos; no chão, quase nada ficava à vista. O benefício não se limitava à arrumação: a divisão parecia ganhar ar. Uma estante vertical conduz naturalmente o olhar para cima e cria a sensação de que o teto está mais distante. Em espaços pequenos, cada metro quadrado conta, mas cada metro em altura é igualmente valioso.

A terceira dica parece óbvia, talvez até demasiado simples: optar por móveis que permitam ver o chão. Um sofá com pés finos, uma consola suspensa, cadeiras leves ou uma cama ligeiramente elevada deixam o olhar circular em vez de o travarem. Os volumes grandes assentes diretamente no soalho ocupam visualmente a divisão, por mais práticos que sejam. Ver mais chão faz-nos sentir que a divisão é mais ampla; é assim que o nosso cérebro interpreta o espaço, sem pedir autorização. Sejamos honestos: ninguém mede todos os dias a área visível por baixo de um móvel. Ainda assim, este é um dos fatores mais eficazes a considerar ao escolher uma nova peça.

Quatro dicas de arquitetos para transformar limitações em vantagens

O quarto gesto consiste em dar preferência a móveis que conseguem assumir outra função, sem converter a casa numa loja de engenhocas. Uma mesa rebatível junto de uma janela pode servir de secretária de manhã e de espaço para refeições à noite; um banco com arrumação recebe convidados e esconde a roupa de casa. O objetivo não é acumular soluções dobráveis, muitas vezes frágeis ou pouco confortáveis, mas eliminar os móveis de utilização única. Antes de comprar, há uma pergunta particularmente útil: «Este objeto desempenha pelo menos duas funções?» Se a resposta for negativa, talvez seja melhor deixá-lo na loja. Esta escolha exige algum sangue-frio, sobretudo perante uma bonita mesa de apoio.

A quinta dica joga-se na paleta cromática e evita a armadilha do branco total com aspeto clínico. As paredes claras continuam a ser uma base segura, porque refletem a luz natural, mas um tom mais profundo também pode ampliar o espaço quando é aplicado no local certo. Pintar a parede do fundo num bege acinzentado, num verde-sálvia suave ou num azul fumado acrescenta profundidade, como se a divisão continuasse para lá dessa parede. O teto pode manter uma tonalidade um pouco mais clara para preservar a sensação de leveza. O erro mais habitual é multiplicar cores intensas em todas as paredes: o estúdio torna-se muito vivo, mas também visualmente inquieto. Uma cor bem escolhida descreve melhor o espaço do que quatro apontamentos dispersos.

A sexta dica é usar espelhos, desde que sejam encarados como janelas imaginárias e não como uma decoração automática. Colocado em frente de uma abertura ou perpendicularmente a ela, um espelho grande devolve a luz e estende a perspetiva para o exterior.

«Numa área pequena, o espelho não deve refletir apenas uma pessoa: deve refletir profundidade ou uma fonte de luz», recorda a arquiteta de interiores Claire Delorme.

Algumas orientações ajudam a evitar um efeito de estúdio de dança:

  • escolher um formato vertical para alongar a altura;
  • apontá-lo para uma janela, um candeeiro ou uma parede desimpedida;
  • evitar a acumulação de pequenos espelhos sem qualquer lógica.

Um único modelo grande, bem colocado, consegue mais do que uma coleção inteira.

A sétima dica é menos fotogénica, mas muda tudo: organizar a arrumação de acordo com a frequência de utilização. Os objetos usados diariamente devem ficar acessíveis à altura das mãos, enquanto as malas, os documentos a guardar e os pequenos eletrodomésticos ocasionais podem subir para zonas altas ou ficar debaixo da cama. Um estúdio depressa parece demasiado pequeno quando se transforma num armazém para tudo o que não tem um lugar definido. Os arquitetos falam em arrumação fechada para acalmar o olhar: portas lisas, cestos iguais ou uma cortina leve à frente de um nicho. A desordem visual cansa mais depressa do que a falta de metros quadrados. Não é uma lição de perfeição, apenas uma forma de voltar a ter uma divisão para onde apetece regressar.

Um estúdio maior na perceção e no quotidiano

Fazer com que 20 m² pareçam ter o dobro do tamanho não implica viver num cenário vazio, nem abdicar de recordações, plantas ou da poltrona onde se gosta realmente de ler. Trata-se antes de escolher o que se quer sentir ao abrir a porta: tranquilidade, luz, uma sensação de movimento e, talvez, até algum orgulho. Os melhores interiores pequenos raramente parecem ter sido calculados ao milímetro, embora muitas vezes o tenham sido. Conservam marcas da vida real: uma manta que sobressai, um livro em cima da mesa, uma chávena junto à janela. O espaço não depende apenas da área disponível. Depende também da respiração, da circulação e dos hábitos que nos atrevemos a repensar.

Ponto essencial Pormenor Valor acrescentado para o leitor
Criar zonas sem dividir Tapetes, iluminação e cores definem os usos sem interromper a luz. O estúdio parece mais organizado e a circulação torna-se mais fluida.
Tirar partido da altura Prateleiras altas, arrumação de parede e móveis com pés libertam o chão. O olhar sobe, a divisão parece mais ampla e os objetos encontram o seu lugar.
Reduzir o ruído visual Móveis versáteis, arrumação fechada e um espelho bem orientado simplificam a divisão. Uma casa mais luminosa, mais serena e claramente mais agradável para viver.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário