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Relatório anual da FRA: custo de vida, habitação e direitos na UE

Duas mulheres analisam documentos e gráficos num computador portátil numa mesa de madeira numa sala iluminada.

Um relatório particularmente interessante acaba de ser divulgado sobre o tema.

Um relatório que confirma o peso do custo de vida

No dia a dia, muitas pessoas já o sentem: o aumento do custo de vida está a pesar cada vez mais sobre os direitos dos europeus. É precisamente essa a ideia central do relatório anual da Agência Europeia dos Direitos Fundamentais (FRA), publicado esta quinta-feira, 11 de junho.

Habitação na UE segundo o relatório anual da FRA

A entidade, sediada em Viena, destaca um dado impressionante em vários aspetos: entre 2015 e 2024, os preços do imobiliário aumentaram 53,4% em toda a UE. Em paralelo, no mesmo período, as rendas subiram 16,8%.

O impacto destes números é descrito como dramático. De acordo com estimativas da Federação Europeia das Associações Nacionais que Trabalham com Pessoas Sem-Abrigo (Feantsa), 1.287.000 pessoas encontravam-se sem alojamento na UE em 2025, noticia a BFM.

Pressões sociais, ódio online e limites da legislação

Citada pelos nossos colegas, Sirpa Rautio, diretora da FRA, lamenta:

"Em toda a UE, as pessoas sofrem pressões diariamente devido à crise prolongada do custo de vida. O ambiente internacional imprevisível e as guerras em curso têm repercussões aqui mesmo, entre nós – nomeadamente no sentimento de segurança e no bem-estar das populações."

Este contexto tende a agravar as tensões no seio da sociedade. Um exemplo apontado é que se estima que mais de uma em cada três pessoas na UE já tenha sido confrontada com conteúdos de ódio online.

Em termos práticos, as leis adotadas no continente não chegam, porque "a sua aplicação deparou-se com dificuldades, nomeadamente para responsabilizar as grandes plataformas tecnológicas e devido a certas resistências políticas externas", comenta a responsável.

O espectro da inflação

Infelizmente, do ponto de vista económico, não há sinais claros de melhoria a curto prazo. A inflação parece estar de regresso na sequência da guerra do Irão, que fez disparar o preço da energia (petróleo, gás).

Entrevistada pelo Le Parisien há algumas semanas, Stéphanie Villers, consultora económica na empresa de consultoria PwC, referiu ainda outra ameaça: a inflação nos bens alimentares essenciais, "porque as matérias agrícolas precisam de energia para serem colhidas e há matérias fósseis nos fertilizantes. Quanto mais durar o bloqueio do estreito de Ormuz, mais o conflito pesará nas cotações mundiais. Elas disparam, também, devido à falta de visibilidade". Mais informações sobre este assunto no nosso artigo anterior aqui.

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