Balanço atualizado do surto de ébola
O Governo da República Democrática do Congo (RDCongo) comunicou, este sábado, uma atualização do surto de ébola declarado no leste do país, elevando para 648 o número de mortos e para 1830 o total de casos confirmados.
Face ao ponto de situação anterior, divulgado na quinta-feira, registaram-se mais 23 mortes e mais 38 infeções, de acordo com o boletim hoje tornado público pelas autoridades congolesas, que indicam que a taxa de letalidade é, neste momento, de 35,4 %.
As autoridades acrescentam que 780 doentes se encontram isolados ou internados, enquanto 285 pessoas já recuperaram da doença.
No que diz respeito à vigilância epidemiológica, a taxa de rastreio de contactos está atualmente nos 78,1%, precisaram.
Situação nas províncias e critérios da OMS
O surto mantém-se concentrado nas províncias orientais de Ituri (epicentro da epidemia), Kivu do Norte e Kivu do Sul.
"O Kivu do Sul ultrapassou agora o limiar de 42 dias sem um novo caso confirmado, um passo importante para a declaração oficial do fim da epidemia na província", pode ler-se no comunicado.
De acordo com os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS), um surto de ébola pode ser dado como encerrado quando não há deteção de novos casos durante 42 dias consecutivos - o equivalente ao dobro do período de incubação do vírus.
O surto foi oficialmente declarado a 15 de maio em Ituri, uma província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul.
Estirpe, propagação regional e gravidade histórica
A epidemia estendeu-se também ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RDCongo, incluindo duas mortes.
Segundo a OMS, o surto está ligado à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico. A organização considera "elevado" o risco de disseminação na África Subsariana e "baixo" à escala global.
A OMS estima ainda que o vírus poderá ter começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes de o surto ter sido declarado e, em 17 de maio, classificou a epidemia como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Este é, até ao momento, o terceiro pior surto de ébola já registado e corresponde à 17.ª vez que a RDCongo é atingida pela doença.
O surto atual é superado apenas pelo que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e por outro que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020, responsável por 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode provocar febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
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