A Fitch Ratings reviu a perspetiva do rating de longo prazo da Boeing, passando de estável para positiva, e manteve a classificação em “BBB-“. Segundo a agência, esta avaliação acompanha a retoma da produção do 737 MAX, que reduz de forma significativa os riscos para a melhoria dos indicadores de crédito da empresa.
Produção do 737 MAX e do 787: estabilização e certificações
A normalização da cadência do 737 MAX - atualmente em 42 aeronaves por mês, com aprovação para avançar para 47 - e a estabilização do 787 em cerca de 10 unidades mensais sinalizam que a Boeing consegue sustentar níveis de produção com qualidade, minimizando o risco de interrupções.
A certificação das variantes MAX-7 e MAX-10, bem como do 777X, prevista para 2026 e 2027, respetivamente, deverá reforçar ainda mais o desempenho operacional.
Redução da dívida, alavancagem EBITDA e fluxo de caixa livre (FCF)
No primeiro semestre de 2026, a Boeing reduziu a dívida bruta em US$ 8,3 mil milhões, para um total de cerca de US$ 45,9 mil milhões, recorrendo a caixa próprio para liquidar vencimentos, sem necessidade de refinanciamentos. A Fitch antecipa que o rácio de alavancagem EBITDA desça de 4,8x em 2026 para menos de 3,5x em 2027 e para 2,5x em 2028.
Em paralelo, a Fitch estima que a Boeing volte a apresentar fluxo de caixa livre (FCF) positivo a partir de 2026, invertendo vários anos de consumo elevado de caixa. A empresa espera gerar entre US$ 1 mil milhão e US$ 3 mil milhões em 2026, aumentando este valor de forma gradual à medida que a produção e as entregas crescem.
Cadeia produtiva, carteira de encomendas e segmento de Defesa
A reintegração da Spirit AeroSystems, através da sua aquisição, deverá dar à Boeing maior controlo sobre a cadeia de produção - em particular na fabricação das fuselagens do 737 - com potencial para melhorar a qualidade e a fiabilidade no médio prazo, apesar dos custos iniciais associados.
A Boeing beneficia ainda de um backlog robusto, com encomendas acumuladas estimadas em US$ 695 mil milhões, incluindo mais de 6.100 aeronaves. Este volume dá visibilidade de receitas e de geração de caixa para os próximos anos, apoiada por uma posição consolidada no mercado de aeronaves comerciais.
No entanto, persistem desafios na área de defesa: programas legados com perdas continuam a penalizar as margens e a travar o ritmo de recuperação no segmento de Defesa, Espaço e Segurança (BDS), que representa cerca de 40% do portefólio, embora se espere uma melhoria gradual.
O que pode pressionar o rating e a posição de liquidez
Entre os fatores que podem conduzir a um rebaixamento, a Fitch aponta:
- atrasos significativos em programas;
- uma margem de fluxo de caixa livre persistentemente baixa;
- aumento dos riscos regulatórios ou de reputação.
Em sentido contrário, uma melhoria do rating poderá ser impulsionada por:
- progressos sustentados na produção;
- redução continuada da dívida;
- margens robustas.
A Boeing mantém uma posição de liquidez elevada, com US$ 20,9 mil milhões em caixa e equivalentes e US$ 10 mil milhões em linhas de crédito por utilizar. A empresa tem efetuado pagamentos relevantes de dívida vencida e planeia liquidar os vencimentos previstos para 2027 com caixa gerado internamente.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário